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Novamente em Miranda do Douro, procurando obter imagens de Papa-figos diferentes das que tinha conseguida dois anos antes.

Fiz diversas tentativas para encontrar um ninho desta belíssima ave e foi por mero acaso que o consegui. Embora, de um modo geral, me oponha à fotografia de ninhos, há casos e que as circunstância do terreno e da posição de um ninho podem permitir obter imagens do mesmo sem que haja interferência negativa com a vida das aves. Foi este o caso.

Com efeito, a descoberta deu-se enquanto observava o voo de uma fêmea que acabou por pousar no choupo debaixo qual me encontrava com a família, num local bastante agitado, onde estacionavam autocarros e havia movimento de pessoas quase constantemente. Depois de pousar na árvore, movimentou-se aos longo de um ramo e colocou-se no ninho. A observação atenta durante cerca de meia hora permitiu-me concluir que se encontrava em período de incubação, feita exclusivamente pela fêmea.

Dois dia depois terminaram as férias e tive de regressar a casa, a três horas e meia de viagem, mas a decisão de voltar quinze dias depois estava tomada: queria fotografar os pais alimentando as crias, certo como estava que aproveitando a orografia me poderia colocar à altura do ninho, bem camuflado e sem prejudicar fosse como fosse o processo de alimentação. Arriscava-me a vir tarde de mais, mas uma consulta aos livros da especialidade deu-me o conforto necessária para não temer uma viagem de seis horas (ida e volta) de mãos a abanar.

Passados os quinze dias, voltei ao local. As crias estavam grandes, activas, tudo levando a crer que abandonariam o ninho três ou quatro dias mais tarde. Arrisquei descer por um talude, bastante íngreme e resvaladiço, onde instalei o tripé Gitzo, a minha Nikon 600 mm f4 com um teleconversor de 1.7 x e uma Nikon D4 para captar as imagens. Rede de camuflagem por cima, expectativas elevadas, enquadramento estudado com atenção, parâmetros da câmara bem definidos e… pouco tempo depois, os papás faziam a sua aparição para alimentar os filhotes.

Foram momentos inesquecíveis, profundamente estéticos pela beleza da cena e dos seus actores emplumados. No total, captei umas 375 fotos e alguns vídeos durante o primeiro dia e a manhã do segundo, durante os quais procurei tirar o melhor partido possível da orientação do sol, algo que eu não podia mudar.

Depois deu-se o regresso a casa, feliz e muito agradecido àquelas maravilhosas aves que me proporcionaram momentos tão belos. A despedida foi difícil pois já se tinham entranhado em mim como se da minha família se tratassem.

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